Outro dia, um amigo comentava, em tom saudoso, que sentia falta dos tempos de criança. Falava que a vida era mais fácil e animada, mesmo sem possuir muitos luxos.
Pensando um pouco sobre o assunto, concluí que, na verdade, sentimos falta da pessoa que éramos na infância. Considerando nossa pouca experiência de vida durante aquela fase da existência, tudo é novo e empolgante. Todos os acontecimentos são desafiadores e despertam a curiosidade. Somos compelidos, naturalmente, a enfrentar o "novo" de maneira otimista.
Com o passar dos anos, tendemos a nos acostumar com as rotinas que estabelecemos. Sentimo-nos seguros fazendo aquilo que conhecemos e evitamos novos desafios por receio de não sermos bem sucedidos nas novas empreitadas. Assim procedendo, morremos em vida.
Antes, um simples passeio pela vizinhança era uma aventura empolgante. Após tornarmo-nos adultos, decidir sobre a saúde, a liberdade, as finanças e a moradia de outras pessoas sequer faz o ritmo cardíaco ser alterado. Ficamos anestesiados pela mesmice. Não conseguimos ver o desafio e a importância de cada um dos nossos atos por trás das atividades diárias.
Mas, nem tudo está perdido! É possível resgatar o brilho dos primeiros anos de vida!
Obviamente, não podemos rejuvenescer fisicamente, mas somos capazes de remoçar nossos pensamentos e atitudes. Basta que transportemos nosso pensamento para além das atividades mecânicas do dia-a-dia (pessoal ou profissional) e pensemos nos resultados úteis destes trabalhos para a sociedade.
Precisamos nos sentir úteis e importantes para essa grande engrenagem da vida. De fato, somos, todos nós, peças singulares e relevantes para a "grande máquina social", ainda que não tenhamos nos dado conta disso.
Que nós possamos ver as nossas atividades rotineiras com "olhos de criança". Que sejamos capazes de encontrar sempre algo novo e surpreendente nos trabalhos diários. Assim, seremos eternamente jovens!

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